A era do Empreendedorismo, dos não Empreendedores

Ao pesquisar no Google: “Empreender em 2018”, me deparei com uma enorme lista de sites, todos indicando e dando dicas de “no quê” e “como empreender”, como: “450 ideias de negócios para quem quer empreender em 2018”; “Os 13 negócios mais promissores para 2018”; “Quais as melhores áreas para se empreender em 2018?”.
Ando pensando nisso há muito tempo, então pra mim já fica clara a informação, mas talvez muitos ainda não tenham percebido a banalização que virou a palavra “empreendedorismo”.
Muitos estão de fato no caminho certo e esse não é um texto pra desmotivar quem está começando, só quero analisar aqui, com vocês, alguns pontos, que na “altura do campeonato” precisam ser analisados.
Se analisarmos o resultado dessa pesquisa no Google, perceberemos que, aparentemente o que as pessoas entendem por empreender é “vou ver aqui o que é que tá ‘em alta’ e ai vou produzir isso ou oferecer esse serviço, e como tá todo mundo procurando por isso, vão comprar de mim”.
Particularmente, acho que o empreendedorismo deveria ser encarado como uma profissão à parte, e o que você fizesse dentro dela, seria consequência de um dom. Por exemplo: Se você quer ser médico, sua profissão será “Médico”, você fará Medicina, mas alguns serão pediatras, outros serão cirurgiões, ou seja, ser cirurgião será apenas a consequência de um dom que o faz definir um caminho dentro da profissão já escolhida, mas o cirurgião antes de ser cirurgião, será um Médico. Sendo assim, no empreendedorismo também deveríamos seguir a mesma lógica, onde, primeiramente seríamos empreendedores, e depois seríamos o que quer que desejássemos ser, dentro da profissão EMPREENDEDOR.
Hoje em dia, eu vejo muitas pessoas, mas muitas mesmo seguindo a lógica contrária, a lógica de: “Bom, estou sem emprego, e eu sei fazer crochê, então vou abrir uma loja ou vender online tudo que eu faço, e como tudo que eu faço é lindo, vai vender super bem e vou conseguir me sustentar”. O pensamento está correto, e é digno, é maravilhoso confiar no próprio trabalho e saber que se fosse ofertado, muitos comprariam. Esse já é um ótimo indício de que a pessoa pode ser um bom empreendedor, porque pra empreender precisamos confiar muito, até mesmo quando tudo dá errado e dá vontade de desistir, então confiar no próprio trabalho, já é um passo gigante.
Com o avanço da tecnologia e os meios de comunicação cada vez mais próximos e acessíveis, temos a sensação de que podemos falar qualquer coisa, a qualquer momento, de qualquer lugar, para qualquer pessoa do mundo, e de graça, mas quem garante que seremos ouvidos?

É como tentar vender pipoca, dentro de um estádio de futebol, no meio do jogo entre Flamengo e Fluminense. Você pode gritar qualquer coisa, a qualquer momento, de qualquer lugar, para qualquer pessoa, e de graça (porque simplesmente gritar não tem custo), mas alguém vai te ouvir? Talvez uma ou duas pessoas que estejam ao seu lado, mas se elas simplesmente te ouvirem gritar e não puderem ver seu produto, elas passarão reto por você. Não sejamos enganados com essa sensação de que temos tudo ao nosso alcance. Se o rapaz da pipoca, no meio desse jogo, não estiver com uma caixa cheia de pipocas (tem o custo da caixa e dos saquinhos), talvez uma plaquinha falando o preço (porque no meio do jogo ninguém vai escutar pra conseguir negociar o valor) e não andar pelo meio da arquibancada, ou seja, se ele não fizer a parte dele, se ele não for atrás do cliente, não importa se ele faz a melhor pipoca do mundo, ninguém vai comprar porque ninguém vai nem saber que ele está vendendo isso.
E ai eu volto e pergunto: Quem vai vender mais? O rapaz que faz a melhor pipoca do mundo (ele tem um dom pra isso), mas não se movimenta pra mostrar isso pra ninguém. Ou o rapaz que tem a caixinha, tem as embalagens, tem a plaquinha com o preço, que acorda cedo e vai pra rua, faz a pipoca no horário que sabe que as pessoas sentem mais fome/vontade e que, com um sorriso no rosto, oferece sua pipoca pra quem passar? Com certeza o segundo vai vender mais! Porque o primeiro é alguém que sabe e ama fazer pipoca, mas o segundo, o segundo sim é um empreendedor!

Antes do médico ser cirurgião, ele precisa fazer a faculdade de Medicina, e estudar tudo de todas as áreas, porque ele precisa ser médico antes de ser um cirurgião.
Então antes de sermos “a moça do crochê”, “o moço da pipoca”, “a moça do bolo”, “o moço dos móveis”, precisamos aprender a ser EMPREENDEDORES.
Mas e o que tudo isso tem a ver com a era do empreendedorismo, de não empreendedores? Bom, simplesmente estamos vivendo uma era em que muitos estão focados em fazer o seu trabalho, executar o produto ou serviço, mas não estão focados em vender, em entrar de fato no mercado. E ai começa a grande taxa de desistência no mundo dos negócios. O que gera, inclusive, um cenário repleto de pessoas com ansiedade, depressão e baixa autoestima. Mas não vou, nesse texto, entrar na parte emocional desse processo todo. Estamos vivendo uma era onde todo mundo quer e está “empreendendo”, mas sem entender como se faz isso na verdade. A era do empreendedorismo, onde a maior parte dos que se dizem empreendedores, não são empreendedores AINDA.
Quando eu digo para os meus clientes que precisamos, sempre, planejar tudo que vamos fazer, eu não estou dizendo que precisam entender tudo de marketing e vendas, na verdade só estou dizendo que precisam, antes de tudo, ser empreendedores, ser e fazer exatamente aquilo que estão se propondo a ser e fazer. Não pulem essa etapa! Saber empreender, é saber planejar, encarar desafios, tomar decisões, encarar as consequências, cair e levantar infinitas vezes, testar com frequência algo novo, estar informado do que acontece no mundo, pesquisar, pesquisar mais um pouco, fazer cursos… Existe um processo todo antes da venda em si, e o ÚLTIMO PASSO será executar de fato o que você faz, o seu dom.
Não sejamos então apenas mais um, mais um com um dom imenso e maravilhoso, mas sem ninguém do mundo nos conhecer. Vamos empreender de verdade, precisamos fazer acontecer. São os nosso sonhos, nossos dons, nossas necessidades. Se nós mesmos não formos à luta por aquilo que amamos e queremos, ninguém mais irá por nós! Pra isso dar certo, precisamos PRIMEIRO aprender a empreender, e DEPOIS executarmos aquilo que somos bons em fazer. Pra muitos isso pode parecer chato, inviável, impossível. Mas foca no sonho, foca lá na frente (tenham consciência de que será bem lá na frente mesmo, rsrs), foca em ser feliz! Vai dar certo, se você quiser!

Por: Lígia Rasslam Raghiante

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